Feminismo e literatura são tema de roda de conversa na DPU em Porto Alegre

Porto Alegre – Na tarde desta sexta-feira (29), no auditório da Defensoria Pública da União (DPU) em Porto Alegre (RS), foi realizado o Sarau Literário e Roda de Conversa: Feminismo e Literatura, evento em homenagem ao mês da mulher. A iniciativa da Coordenação de Projetos Especiais teve como objetivo dialogar sobre feminismo e os temas apresentados na obra As coisas que as mulheres escrevem, da Editora Desdêmona. Introduzidas pela defensora pública federal Ana Luisa Zago de Moraes, as autoras Ana Stela Goldbeck, Juliana Maffeis, Luciana Lhullier e a jornalista e autora da obra Dessa Cor, Fernanda Bastos, conversaram com as colaboradoras e os colaboradores da DPU.

Moraes agradeceu a presença de todas e todos no evento e destacou a intenção de relacionar feminismo e literatura com o trabalho desenvolvido pela instituição, que está construindo um novo posicionamento em relação ao tema. Ela comentou sobre o fato inusitado de uma instituição jurídica promover um evento sobre literatura e ressaltou que o tipo de visão que a editora promove, “uma visão não estereotipada das mulheres, das negras e homoafetivas”, agrega muito aos temas caros ao órgão. A defensora perguntou às convidadas o que as motivava a escrever e o que significa publicar atualmente. Pediu, também, que definissem a literatura feminista e feminista negra. Ainda, questionou se o livro era também uma busca pela igualdade, uma vez que reflete questões recorrentes na sociedade, como a invisibilidade de certas populações e grupos.

Para Juliana Maffeis, “a escrita é uma forma de luta”, está relacionada com a subjetividade, “um trabalho de resgate do que está dentro e precisa ser colocado para fora”. Ana Stela Goldbeck contou que seus grandes companheiros sempre foram os livros e comentou que hoje em dia as pessoas querem respostas para grandes questões em textos muito curtos.

Fernanda Bastos destacou a importâncias das mulheres negras – “minoria da minoria” – colocarem seus trabalhos na rua, uma vez que o mercado editorial também reproduz machismo e racismo estrutural. Para ela, a literatura feminista é uma forma de fornecer outras visões e histórias.

De acordo com Luciana Lhullier, que tem livros publicados na área técnica e literária, publicar é algo “territorial”. Ela conta que, depois de publicar, seu próximo passo foi lançar a editora e com ela abrir oportunidade de publicação para mais mulheres. Afirmou que o mercado editorial pende mais para a publicação de homens. “Os homens não pensam duas vezes antes de enviar seus textos para publicação, as mulheres, por sua vez, hesitam muito mais”, comentou.

A defensora pública federal Fernanda Hahn contou sobre um movimento interno iniciado por um grupo de defensoras de todo o Brasil. De acordo com ela, as discussões permitiram que as defensoras percebessem situações de machismo e discriminação no dia a dia que antes não eram notadas. A socióloga da unidade, Laura Zacher, também ressaltou algumas desigualdades que percebe dentro da instituição, entre elas, a baixa representatividade de mulheres negras nos quadros de maior remuneração e entre membros da DPU.

Ao final do encontro, o público contou com apresentação musical da cantora e compositora Gabriela Lery, desfrutou um lanche coletivo e realizou troca, doação e venda de livros. Na avaliação da defensora Ana Luisa Zago de Moraes, o evento foi muito positivo: “as autoras evidenciaram a importância da inserção das mulheres no mercado editorial para a desconstrução de estereótipos femininos e para dar voz às mulheres negras, brancas, homoafetivas, pobres, e todas as interseccionalidades e diversidades do universo feminino”, comentou.

As coisas que as mulheres escrevem consiste em uma coletânea de crônicas, contos e poemas de autoras já publicadas e também de iniciantes e tem relação com a principal proposta da Editora Desdêmona, que é oferecer um espaço que incentiva e legitima a voz e a visão das mulheres no mundo da literatura, criando espaços mais igualitários em um mercado ainda fortemente dominado pela escrita masculina. A obra, publicada em março de 2019, está à venda em livrarias parceiras e no site oficial da editora: http://www.editoradesdemona.com.br/.

 

Fonte: DPU – https://www.dpu.def.br/noticias-rio-grande-do-sul/152-noticias-rs-slideshow/49805-feminismo-e-literatura-sao-tema-de-roda-de-conversa-na-dpu-em-porto-alegre